Depois de muitos anos sem quase nenhuma notícia dos Mata, em dezembro de 2008 eles tentaram uma reaproximação, através de um e-mail enviado pelo meu cunhado, o caçula entre os varões, advogado de formação e dono de imobiliária por deformação, à irmã. Como se nada tivesse acontecido, ele nos convidava para uma festa familiar em que se celebrariam as bodas de ouro dos pais. Isso nos deixou indignados, não pelo convite em si, mas pela maneira unilateral que eles tem de virar as páginas, fingindo que nada fizeram, que sua ganância e mesquinharia nada destruiram lá por onde passeiam seus dotes de grandeza. Resolvi responder. E assim fiz então.
Quase um ano depois, abri minha caixa de correio de mensagens enviadas e reli-a. A sensação foi a de ter cometido uma injustiça, não dando a oportunidade a todos os integrantes da quadrilha de conhecerem meus sentimentos. Por isso, aí vai a
"Carta aberta aos Mata" (dirigida ao meu cunhado)
Sempre desconfiei daquelas festas que a sua mãe marcava, tentando e nunca conseguindo, transmitir uma sensação de família reunida e unida. Estou convencido de que não existe nenhuma lei que obrigue alguém a fazer parte de uma família, que é só uma opção. O que existe é a necessidade de convivência social, de fazer parte de um grupo como forma de sentir-se fortalecido. Em alguns casos, chega a ser patológico e responde às frustrações e sentimentos provocados por vivências justamente inversas, sem afeto e sem relação familiar. Pura carência. E sua mãe é uma pessoa extremaente carente e provavelmente quanto mais ela tenta mascarar e negá-lo, inventando reuniões familiares fracassadas, mais se agrava o seu quadro. “Não sou uma pessoa mal amada", deve repetir diante dos espelho várias vezes ao dia. Inútil tentativa de se autodissuadir de que foi mal amada pelos pais, de que é mal amada pelo marido. Os filhos até tentam, mas é ela que não deixa por que não sabe, não aprendeu, ninguém ensinou nem praticou com ela. Entendo, apiedo-me e sei que isso leva à frustração e a extrema infelicidade. Mas isso não lhe dá o direito de fazer a infelicidade dos demais. É a principal responsável pela dizimação da minha família, cuja união e amor ela nunca conseguiu entender e que sempre invejou. Aproveitou-se da minha ausência e do meu único momento de fragilidade, depois da morte da minha mãe, para invadir minha casa, "raptar" meu filho, vender minha casa de “sampa” por um terço do preço, além de tentar colocar a minha mulher, sua filha contra mim, continuamente.
Na verdade eu sempre soube desse obscuro mundo interior da matriarca, mas nunca me importou se ela estava casada com um mesquinho que não sabe amar ou se entre ambos produziram criaturas sem nenhuma moral ou escrúpulo, até que o relacionamento com essa lamentável parcela da representação humana alcançou níveis de convivência quase diária em 2002.
Durante duas décadas aturei que aves de rapina como o seu irmão, se aproveitassem de uma condição financeira de dificuldade da própria irmã para ganhar dinheiro às nossas custas. Aliás, aproveito este momento para desfazer uma injustiça já que por muito tempo, achei você era o pior de todos. Sinto muito mas, como sempre, você perdeu para o seu irmão, ele é insuperável, vergonha da existência humana, asqueroso, uma das piores pessoas que conheci, mesquinho como o pai, mas com certo requinte, capaz de aproveitar-se dos filhos, dos irmãos, que dirá do cunhado. Você, ao contrário, não passa de um pobre idiota preciso de auto-afirmarção, que necessita cercar-se o tempo todo de seres insignificantes e bajuladores para poder se sentir importante, mas que no entanto, nunca seria capaz de se aproveitar de um filho, o que não significa que não tenha demonstrado ser um pai tão desastroso como todos eles.
Depois de tudo, gostaria de agradecer pelo muito que vocês me ensinaram, fazendo-me experimentar novos sentimentos, como por exemplo o rancor, que nunca, na minha vida de mais de meio século tinha sentido. Ou o desprezo que também aprendi a sentir com (e por) vocês. Suponho que só depois de conhecê-los muito bem e conseguir desenvolver essa faceta é que eu posso entender a minha existência como completa.
Ingênuo, esperei um pedido de desculpas que nunca veio - nunca vi um Mata reconhecer um erro, já que vocês costumam encobrí-los com outros, nem pedir desculpas -. Sinal de insegurança e de que são conhecedores da propria insignificância. Era tão fácil. Era só pedir desculpas, não vale alegar como motivo a distância, já que existem e espero que vocês conheçam, as novas tecnologias, tais como telefone, internet ou, mesmo algumas velhas e todavia eficientes como o correio. E eu tenho certeza de que mesmo sem reconhecer, vocês sabem perfeitamente a gravidade do que fizeram.
Agora, o único que eu peço é que me esqueçam. Falo por mim.
lunes, 2 de noviembre de 2009
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