viernes, 6 de marzo de 2009

Toda donzela tem uma mãe que é uma fera

Mochila nas costas e muita ansiedade, era minha bagagem de todo fim de semana. O encontro, o abraço apertado, os beijos apaixonados e toda a minha atenção, exceto naquele fim de semana. Como sempre, ela foi me receber no portão e, aquele dia, beijei-a de forma burocrática, sei disso. Obsessivo na minha busca, apressei o passo, direção ao terraço do fundo onde costumava estar pitando seu inseparável cigarrinho e lá estava ela: minha futura sogra. Passei toda a viagem no Cometão, tentando reconstruir sua imagem na minha mente, temeroso da impiedosa previsão de um colega de trabalho que prometeu ensinar a todos, o segredo de enxergar o futuro, nada mais nada menos, da cara-metade. Bastava dar uma boa olhada na mãe dela, agora e voilà. Que sufoco! Mais complicado do que tentar encontrar alguma graça naquela mulher áspera e seca, foi passar o resto da semana. Mas, a semana passou e assim, o fim de semana, as semanas seguintes, os meses e os anos. E a única coisa que eu posso dizer é que aquele colega do trabalho, semblante carregado da autoridade conferida pelos anos vividos, estava enganado.

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