Em muitas partes do mundo, ao ver alguém todo vestido de branco, supõe-se um pintor, um padeiro ou, quem sabe, um açougueiro, que, longe de estar reconhecível para atender urgentemente a uma parede que pede retoques, uma fornada de pãezinhos ou meio quilo de alcatra, o mais provável é que o sujeito em questão, simplesmente, não teve a chance de trocar de roupa. Já os médicos, terminada suas jornadas de trabalho, desvestem o avental branco e voltam para casa, possivelmente usando o metrô e trajando o anonimato a que tem direito.
Na cidade dos Mata, os médicos - e dentistas - seguem desfilando reluzentes trajes brancos, possivelmente, na tentativa de usurpar o prestígio daqueles que, em tempos de estruturas rurais pouco letradas, além de curar, aconselhavam e se ocupavam de todos os assuntos de certa complexidade, fora do alcance da maioria dos concidadãos.
Este prólogo serve-me para introduzir o próximo personagem, sem dúvida, o mais enigmático e difícil de descrever dentre os Mata, uma resultante direta da combinação das vontades ancestrais e das necessidades pessoais de vencer certa desconfiança relacionada com a própria insignificância. Por ambos motivos, sua obsessiva necessidade de se transformar no “doutor” Mata, atividade que, por outro lado, nunca chegou a realizá-lo profissionalmente. Pelo último, a importância de chegar a ser um latifundiário, dentro da estrutura social atemporal à que já me referi. E, como purgatório das culpas do mercadejo de velhos autos ou de desvalorizadas propriedades periféricas a pobres diabos ou viúvas desvalidas, tão tradicional entre varões Mata, a religião.
Vamos por partes. Associar a prática da fé ao progresso econômico parece ser uma tese cada vez mais aceita, não só entre os crentes evangélicos que sempre propagaram essa idéia abertamente, como também entre os novos convictos da fé católica brasileira, uma grupo religioso muito particular, cada vez menos fiel às origens e produto de um sincretismo característico dos trópicos. Se são presumivelmente incompatíveis ganância, mesquinharia e a fraternidade cristã, não é menos certo que além de ser o mais seguro dos salvo-condutos do lobo até o interior da rebanho, o rito religioso é uma das poucas possibilidades para marcar terreno em sociedades como a dos Mata e com a vantagem de fazê-lo como o bom samaritano, como o cidadão acima de qualquer suspeita.
O doutor Mata reproduz perfeitamente a sua herança genética, juntando à ganância, a frieza calculadora e acrescentando de sua parte, um refinado aspecto de respeito que o faz inquestionável para suas vítimas e para a própria família, silenciosa, resignada ou, quem sabe, cúmplice na hipocrisia.
Na cidade dos Mata, os médicos - e dentistas - seguem desfilando reluzentes trajes brancos, possivelmente, na tentativa de usurpar o prestígio daqueles que, em tempos de estruturas rurais pouco letradas, além de curar, aconselhavam e se ocupavam de todos os assuntos de certa complexidade, fora do alcance da maioria dos concidadãos.
Este prólogo serve-me para introduzir o próximo personagem, sem dúvida, o mais enigmático e difícil de descrever dentre os Mata, uma resultante direta da combinação das vontades ancestrais e das necessidades pessoais de vencer certa desconfiança relacionada com a própria insignificância. Por ambos motivos, sua obsessiva necessidade de se transformar no “doutor” Mata, atividade que, por outro lado, nunca chegou a realizá-lo profissionalmente. Pelo último, a importância de chegar a ser um latifundiário, dentro da estrutura social atemporal à que já me referi. E, como purgatório das culpas do mercadejo de velhos autos ou de desvalorizadas propriedades periféricas a pobres diabos ou viúvas desvalidas, tão tradicional entre varões Mata, a religião.
Vamos por partes. Associar a prática da fé ao progresso econômico parece ser uma tese cada vez mais aceita, não só entre os crentes evangélicos que sempre propagaram essa idéia abertamente, como também entre os novos convictos da fé católica brasileira, uma grupo religioso muito particular, cada vez menos fiel às origens e produto de um sincretismo característico dos trópicos. Se são presumivelmente incompatíveis ganância, mesquinharia e a fraternidade cristã, não é menos certo que além de ser o mais seguro dos salvo-condutos do lobo até o interior da rebanho, o rito religioso é uma das poucas possibilidades para marcar terreno em sociedades como a dos Mata e com a vantagem de fazê-lo como o bom samaritano, como o cidadão acima de qualquer suspeita.
O doutor Mata reproduz perfeitamente a sua herança genética, juntando à ganância, a frieza calculadora e acrescentando de sua parte, um refinado aspecto de respeito que o faz inquestionável para suas vítimas e para a própria família, silenciosa, resignada ou, quem sabe, cúmplice na hipocrisia.
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